Olá! Eu sou a Lucy. Hoje vou contar-vos uma história deliciosa sobre o meu Tio Sebastião. Mas sabem uma coisa? Na família, todos lhe chamamos "Tio Paco".
Isto acontece porque ele viveu muitos anos em Sevilha (Espanha). Os vizinhos espanhóis não conseguiam dizer "Sebastião" porque se baralhavam todos com o som do "ão"! Diziam que parecia um trava-línguas. Então, decidiram facilitar e começaram a chamar-lhe simplesmente "Paco". O nome pegou, tal como a sua receita mágica que salvou o nosso domingo.
O Domingo sem Pão
Era domingo de manhã e acordámos tardíssimo. Eu e a Raquel descemos para a cozinha cheias de fome, mas encontrámos a mãe a olhar preocupada para a despensa vazia.
"Não há pão!" disse ela. "Esquecemo-nos de ir à padaria ontem, e agora já é tarde e está tudo fechado."
O Pedido de Socorro ao Tio Paco
O pai teve uma ideia brilhante: "Vou ligar ao meu irmão Paco! Ele tem sempre soluções mágicas para tudo."
Explicou-lhe a situação pelo telefone, e ouvimos logo a voz alegre do Tio Paco do outro lado: "Não se preocupem! Têm farinha e açúcar em casa?"
"Sim," disse o pai.
"Perfeito. Chego aí em vinte minutos. Vamos fazer um pequeno-almoço à sevilhana!"
A Chegada do Super-Herói
E lá chegou o nosso Tio Paco com um sorriso enorme e uma coisa metálica estranha na mão!
"Olá, meus chefs favoritos!" disse ele. "Quem quer aprender o segredo dos churros perfeitos?"
Eu dei um salto da cadeira. Queria aprender! A Raquel escondeu-se atrás da mãe porque ainda era muito pequena, e o Carlos fingiu que não estava interessado, mas estava sempre a espreitar.
A Lição Mágica
O Tio Paco pôs-me num banco ao lado dele e começámos a magia.
Primeiro pusemos farinha numa taça grande. "Três colheres por pessoa," explicou ele. "Mãe, pai, Raquel, Carlos, tu e eu. Dezoito colheres."
Mas o Tio Paco acrescentou mais duas. "Sempre um bocadinho extra para a alma, Lucy," piscou-me o olho.
O Momento da Verdade
Adicionámos sal, fermento e água a ferver pouco a pouco. Eu mexia e mexia até a massa ficar perfeita. Parecia uma experiência de ciências!
Entretanto, a mãe aqueceu óleo de girassol na frigideira grande. "Tio, por que não usamos azeite?" perguntei.
"Porque o azeite tem um sabor muito forte, Lucy. Para os churros precisamos de um óleo mais neutro para deixar brilhar o sabor da massa."
A Magia em Ação!
O Tio Paco encheu a "churrera" (aquela coisa metálica que parecia uma seringa gigante) com a nossa massa. Começou a apertar e... UAU!
A massa saía a fazer espirais perfeitas no óleo quente. Os churros ficavam douradinhos e o cheiro enchia toda a cozinha. Até o Carlos se aproximou e disse: "Ok, isso é fixe."
O Pequeno-Almoço Mais Feliz do Mundo
Em dez minutos tínhamos a mesa cheia de churros dourados e fumegantes. A mãe tinha preparado chocolate quente, bem espesso como se faz em Espanha, e o pai até sorriu depois de toda a confusão da manhã.
Quando provei o meu primeiro churro molhado no chocolate... era como trincar uma nuvem estaladiça cheia de felicidade!
Um Final Doce
Desde esse dia, cada vez que o Tio Paco vem cá, eu peço-lhe para fazermos churros. E agora sei que quando for crescida, vou ensinar aos meus filhos os churros mágicos do Tio Sebastião... ou melhor, do Tio Paco!